Deutsches Reich

Mensagem ao Reino do Manso

Munique, 4 de abril de 2020.

A Sua Majestade, a Rainha Marina do Manso

Majestade,

1. Em continuidade das conversas mantidas na data de ontem entre nossas majestades por iniciativa de seu Governo, gostaríamos de reforçar nosso espanto e profundo desapontamento com a recente reordenação da política externa manseana, orientada pelos compromissos assumidos nas horas anteriores, que deliberadamente arriou a Alemanha à categoria de Estado inferior ao Reino do Manso.

2. Não poderíamos deixar passar esta oportunidade para apontarmos as graves incongruências e completas falsidades descritas no tratado assinado por Vossa Majestade em relação à lusofonia, que refletem não somente uma absoluta falta de domínio sobre a história do subsistema lusófono de Estados, mas também ausência total de caráter de seus autores. Sendo micronacionalista há quase vinte anos, tivemos a chance de observar as idas e vindas de Estados das mais variadas cores e espécies, com que sempre estivemos dispostos a dialogar. O Império Alemão inclusive reconheceu Estados ditos derivatistas, tanto na lusofonia quanto dentre outros hemisférios linguísticos, sem qualquer prejuízo à forma em que o contato diplomático fosse feito.

3. Temos em momentos recentes ressaltado, aliás, a completa irrelevância da dicotomia derivatismo versus modelismo para o efeito das relações internacionais, afirmando em diversas ocasiões que o único aspecto importante para que este Império reconheça qualquer outro Estado é a forma com que este se insere no sistema internacional. Na nossa opinião, majestade, quando quer que haja a integração honesta de qualquer Estado aos princípios mais fundamentais que regem as relações e Direito internacionais, além das tradições já cristalizadas dentre os Estados lusófonos, a Alemanha sempre buscará a concórdia e a paz.

4. O mesmo não pode ser dito de alguns elementos dentre o grupo de países com que Vossa Majestade decidiu tão cerimoniosamente se congregar, afinal, o monarca karno-ruteno é conhecido por criar países falsos comandados publicamente por testas de ferro que nenhuma vontade possuem além daquela que emana da sede do tratado assinado por suas mãos, inclusive interceptando comunicação oficial dirigida a esses países e tratando-as como se a si fossem endereçadas, sob o pretexto de supervisão.

5. É de fato lastimável que o Governo de Vossa Majestade tenha decidido acompanhar a iniciativa de declarar o Império Alemão como Estado de segunda classe, e junto dele ainda outros que não apenas reconhecem o Reino do Manso, mas também têm tido relações amistosas com Vossa Majestade e com outros países signatários do mesmo tratado há pelo menos vários anos. Trata-se de uma tentativa rancorosa daqueles que, inaptos para unir, buscam dividir a lusofonia em benefício de uma visão ignara e rançosa de micronacionalismo, que não encontra sustentação em nenhuma outra fonte e nenhum outro lugar do tempo ou espaço.

6. Aguardamos enfim de Vossa Majestade a pública confirmação do novo status de “estado-fantasia” dado à Alemanha por seu Governo, indo ao encontro da classificação a ela atribuída pelo Tratado de Persenburg, ratificado pelo Reino do Manso na data de ontem, para que a Secretaria Imperial de Relações Exteriores possa tomar as providências necessárias em relação a nossas relações bilaterais. 

Saudações alemãs,