
Regnum Cypri
Conselho da Nobreza
Palazzo del Proveditore, Amachostos
Carta às Potências
A Nobreza do Reino de Chipre, falando em nome próprio, no exercício de suas prerrogativas históricas, sociais e políticas — e não como órgão de governo nem como voz do Estado cipriota — dirige esta carta em termos deliberadamente inequívocos, porque a hora já não comporta ambiguidades diplomáticas nem complacência interpretativa. As manifestações oficiais do Estado do Chipre, bem como quaisquer comunicações de natureza governamental, competem e competir-ão exclusivamente ao Interventor legitimamente designado por Sua Majestade Imperial Germânica. O que aqui se afirma, portanto, é a posição da nobreza cipriota enquanto corpo histórico autônomo, titular de honra própria e responsabilidade pública distinta da administração estatal.
Dito isto com a clareza necessária, a Nobreza do Chipre declara que não se sujeitará à intimidação de nenhuma nação, tampouco aceitará reprimendas, insinuações ou ameaças oriundas de Estados que, a pretexto de amizade, cooperação cultural ou proximidade regional, buscam ampliar artificialmente o alcance de instrumentos jurídicos cuja letra, espírito e finalidade são manifestamente delimitados. A contenção que a nobreza tem demonstrado até aqui não deve ser confundida com aquiescência, e a deferência histórica não será convertida em submissão retórica.
É particularmente grave — e ofensivo à inteligência jurídica — que o Reino Semita da Escorvânia persista em promover uma leitura extensiva, oportunista e desleal do Tratado de Aman sobre Intercâmbio Cultural, como se tal instrumento pudesse servir de fundamento para juízos políticos, censuras públicas ou tentativas de constrangimento moral dirigidas à nobreza cipriota. O referido tratado é, por definição expressa, um acordo de natureza cultural, religiosa e diplomática básica. Não regula segurança, não disciplina defesa, não condiciona alianças estratégicas, não limita a liberdade de manifestação de corpos nobiliárquicos e, sobretudo, não confere à Escorvânia qualquer autoridade para julgar ou vigiar a conduta política da aristocracia de outro Reino.
A tentativa reiterada de instrumentalizar tal tratado para lançar descrédito sobre a nobreza cipriota — inclusive questionando o fato de esta haver publicado comunicações em domínio germânico — revela não um desacordo hermenêutico legítimo, mas uma estratégia consciente de pressão política. A Nobreza do Chipre recorda que sua manifestação em território germânico decorre de fato jurídico evidente: a existência de tratado de suserania livremente pactuado, vigente e reconhecido, que estrutura a relação entre o Reino do Chipre e o Reich. Tal ato não configura submissão, ingerência externa ou abdicação de dignidade, mas exercício regular de uma prerrogativa política histórica. Negá-lo é negar o tratado; negá-lo reiteradamente é romper com a boa-fé internacional.
A Nobreza cipriota não aceita, nem aceitará, que um acordo de intercâmbio cultural seja distorcido para funcionar como instrumento de intimidação moral ou como pretexto para acusações de violação de soberania que sequer dizem respeito às suas atribuições. Menos ainda aceitará que, a partir dessa leitura forçada, se aventem ameaças militares ou se contribua, de forma deliberada, para a instabilidade regional. A aristocracia cipriota não governa o Estado, mas tampouco é objeto passivo de campanhas de deslegitimação.
Fica, assim, consignado com toda a dureza que o momento exige: a Nobreza do Reino do Chipre repudia a conduta persistente da Escorvânia em lançar suspeitas sobre sua honra, rejeita a manipulação seletiva do Tratado de Aman e adverte que não reconhecerá como legítima qualquer tentativa de submeter sua atuação histórica e política a escrutínio externo não autorizado. Persistir nesse caminho não será interpretado como divergência diplomática admissível, mas como afronta direta à honra nobiliárquica e à própria lógica dos tratados que sustentam a convivência entre os Reinos.
A Nobreza do Chipre não fala em nome do Estado — e justamente por isso fala com franqueza. Prefere a paz, mas não negocia sua honra. Respeita os tratados, mas não tolera sua distorção. Não busca o conflito, mas não se curvará à intimidação, sobretudo quando esta se oculta sob o manto de acordos culturais desfigurados por conveniência política. Que esta carta seja lida como o que é: uma linha clara traçada pela nobreza cipriota, antes que a paciência histórica se converta em silêncio irreversível.
Sua Majestade Prussiana Alfons-Filip von Hohenzollern zu Bistritz,
Marquês de Amachostos
04 de fevereiro de 2026, Anno Domini.